domingo, 25 de janeiro de 2009

foi o mar que a devolveu

Olá Amigos 127...

Ontem foi o dia de uma visita à Nazaré. É cá uma terra! É impossível sairmos de lá sem aquela pronúncia, sem aquela musiquinha nas palavras... Primeiro estava um mar incrível, já há muito tempo que não viamos um mar assim tão forte e revoltado, aquelas ondas metiam respeito a qualquer um. Depois andámos, andámos, andámos e eu desesperada para comer qualquer coisa... alguns dos locais estavam fechados, outros já não serviam refeições àquela hora, eu também tenho que dizer que como não posso comer qualquer coisa (o meu estômago está em repouso para ver se recupero a amizade com a minha hérnia) foi mais díficil encontrar algo de comestível! Mas lá se resolveu... como uma banana e uns tremoços :) De seguida, como boa tradição, não se pode ir à Nazaré sem ir ao Sítio! Uma vista surreal sobre o mar... que automaticamente me fez lembrar uma história que li há algum tempo...


Aqui a deixo:

"Um dia estava eu no quartel de bombeiros em Peniche quando uns pais angustiados vieram pedir ajuda. A sua filha estava mal psicologicamente, tinha desaparecido de casa e eles tinha receio que ela se suicidasse. Peniche é uma península com boas praias mas tambem com muitas falésias que as pessoas com problemas aproveitam para desistir da vida. Juntámos uma equipa e resolvemos começar na zona norte junto à estrada marginal em frente à Papoa. Mal chegamos ao local recebemos logo más noticias, alguém tinha visto a moça atirar-se da falésia. Este tipo de situações é muito frustrante para quem pretende salvar porque as hipoteses da pessoa estar viva são extremamente diminutas e portanto a partir daí o objectivo é recuperar o corpo para o entregar à família.
Na equipa ia um bombeiro de seu nome Fernando Malheiros, carpinteiro naval de profissão e pescador experiente que conhecia todos os acessos e possíveis lugares daquela falésia onde a nossa vítima poderia estar, isto claro se não tivesse atingido o mar. Depois de verificados todos esses lugares sem resultados, acabamos por parar a busca partindo do princípio que a vítima teria de facto caído ao mar e se tinha afogado.
Quando iamos de regresso ao quartel o Fernando volta-se para mim e diz: Hoje de madrugada quando a maré estiver baixa volto cá com outra equipa. E de facto nessa noite a equipa do Fernando descobriu a vítima numa caverna não acessível durante o período das primeiras buscas. Estava em hipotermia e tinha uma fractura numa das pernas, mas estava viva. Foi de imediato levada ao hospital . Se não tivesse sido o Fernando a tomar a decisão de voltar naquela noite, a moça teria com certeza morrido.
Mais tarde em conversa com ele perguntei-lhe como seria que ela tinha conseguido chegar à gruta com a perna fracturada e ele respondeu de uma forma simples mas profunda, de quem conhece e respeita: foi o mar que a devolveu." Escrito por Francisco Zaragoza no dia 25/09/2008.


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