terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pesadelo de Darwin

Olá amigos 127!
Antes de mais, deixem-me que me apresente. O meu nome é GaivotaPerdida.
Gaivota porque foi um animal que me despertou curiosidade quando há cerca de 2 anos vim viver para Peniche. Porquê?? Simples, porque é curioso! Perdida, porque não sabendo muito bem ao que vinha acabei por ficar e ainda ando a tentar descobrir exactamente qual é o meu papel por aqui. Destas duas ideias nasceu um blogue já há quase dois anos , o http://www.gaivotaperdida.blogspot.com/ (passo a publicidade) e que é um projecto que tenho tentado manter.
Explicado que está quem sou, passemos ao que venho aqui fazer hoje, não no papel de comentadora, mas de "postadeira". Quero falar-vos de um filme. Não exactamente um filme, mas um documentário. Daqueles em que o som e a imagem não é dos melhores mas que nos prende e nos obriga a pensar um bocadito.
O documentário chama-se "Pesadelo de Darwin".



Trata de uma "reportagem alargada" sobre uma zona da Tanzânia. Nessa zona existe um lago tropical enorme, onde há muitos anos atrás havia um ambiente pouco poluído e donde se pescava peixe que era a força motriz de uma pequena economia local. Por volta dos anos 60 é introduzido neste lago uma espécie que muitos de nós costumamos comer (a perca). Pois bem, esta espécie acabou por dizimar as espécies locais de peixe criando toda uma nova economia.
A União Europeia, muito bem feitora, concede subsídios para a implementação de fábricas (neste momento em poder de indianos) que cumprem todas as normas de higiene e salubridade e todas aquelas palavras caras que eu não sei reproduzir euqe nos permitem ter este peixe nas nossas mesas em boas condições para ser comido.
Todos os dias saem muitas toneladas de perca daquele lago para os europeus consumirem.
Vocês devem estar a pensar que isto tudo é muito positivo.
Pois bem, agora vem o outro lado.
O lado dos políticos e governantes corruptos que aceitam "luvas" para encobrir uma realidade que é a de trabalhadores que são mal pagos (explorados), e que vão desde os pescadores que morrem nas bocas dos crocodilos daqueles lagos, até aos operários fabris que todos os dias preparam filetes lindas, enormes mas que jamais conhecerão o seu sabor. Tudo é sobre-explorado. O lago em breve não terá mais peixes e estará demasiado poluído para os voltar a produzir. Os aviões da ex- URSS que vão buscar a perca para os europeus, com a desculpa de transportarem ajuda humanitária levam carregamentos de armas que entram por ali e seguem para países como Angola.
A pobreza, as crianças de rua, as cabeças de peixe podre que são atiradas em pilha para o chão (despojos das conserveiras) e que servem de alimento aos famintos da Tanzânia são imagens que nos perseguem durante todo o filme. Crianças de rua orfãos de pai e mãe que foram dizimados pelo "vírus" [HIV], porque "usar preservativo é pecado" anuncia o religioso da zona.
Prostitutas que servem de entretém a pilotos russos e ucranianos, enquanto se descarregam armas e se carrega peixe.
Todo um mundo de contrabando, exploração, pobreza, fome, e muita muita miséria escondida pelos próprios governantes no seio das instituições internacionais como a ONU.
Sei que para quem tenha visto o documentário, estas são apenas palavras muito parcas que pouco conseguem ilustrar o choque que é aquele documentário.
Afinal, palavras para quê?
Aconselho-vos mesmo a ver!!!

2 comentários:

ômega disse...

Olá Gaivota! Bem-vinda!! Espero que este seja o primeiro de muitos posts :) Aceitamos cópias dos posts do teu Blog :)

Quanto ao documentário amei/detestei. Será possível?

Acho que vai merecer um post meu ;)

Ya disse...

Bem vida "gaivota", espero que te encontres aqui...

O documentário é muito, muito amargo...